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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ADEUS

Foi tão difícil verter as lágrimas dos olhos ao te ver partir
quanto tão fácil rir deste amor enviesado.
Pois que amor foi este? Onde as vielas da paixão
eram ruas sujas e estreitas e o coração tão cedo
se partiu em pedaços.
Não bebi do mel doce, e sim do fel amargo.
Não tive ilusões ou fantasias meu anjo
nem esperei pelo rufar dos tambores enfurecidos
que um dia pretendi ter ao meu peito.
Meu coração congelou-se ao zero grau de tua
inapetência em me conseguir inteira.
Pois para ti dei-me sempre pela metade,
pensei sempre pela metade
e chorei sempre muito pouco.
Nunca fostes meu amante meu querido,
ah, disto eu rio muito e meu riso é louco.
Como estranhos foram os anos que despendi
a te ver passar com teu cabelo engomado
e teus olhos pouco afeitos à beleza da vida.
Não me fizestes infeliz, que isso fique claro.
Simplesmente não me fizestes nada.
Hoje nos despedimos e rezo a Deus em graça
pois é a ultima vez que nos vemos.

Nesta tua lápide, não porei uma flor sequer.

AC


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