Tenho em mim a essência dos exageros.
Dos destemperos.
Dos temperamentos imprecisos,
embora guarde, recalcada, a chave
do meu paraíso.
Tenho saudade do amor.
Recolho a distância dos amigos
em um canto incomodado do meu peito.
Flerto com os cheios de alma,
voláteis espíritos em chamas.
Irrita-e a calmaria inerte dos
que não provocam, não discutem
nem se comprometem.
Guardo mais do que mostro.
Dentro de mim, pássaros voam.
Esta placidez aparente esconde
o bater constante de desaforadas asas.
Tenho desordem e inconstância.
Na introspecção com que olhos as pessoas,
mil ebulições fermentam a minha alma.
Não questiono a morte, incomoda-me a vida.
Registro os sorrisos, os descasos,
vivo a solidão interna dos que
muito retêm seus desejos em sequestro.
Sou o redemoinho do encontro
das correntezas.
As palavras me conhecem por completo.
AC

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