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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MOVIMENTO

                          " Navego pela memória sem margens...."
                                        (Cecília Meireles)


Eu tenho sonhos; sonhos tão remotos
quanto a visão de um paraíso esquecido.
Guirlandas de flores virgens
tecem em minha fronte a coroa
abençoada.
E os cheiros das florestas,
posso todos respira-los;
odores ocres, acres, agridoces.
O firmamento azul se esgota
no encontro com a terra acetinada;
coberta de capim santo,
lírio branco,
ah! os belos lírios,
delírios desta visão adocicada.
E a vida é pura!
E o ar é fresco!
E a água é limpa,
rio onde transbordo meus desejos.
Musgos sobem pelas minhas pernas,
enredam-me neste jardim de amor.
Já sou parte do sonho, poesia em flor.
E em meus ombros, asas articuladas,
tramas transparentes, sinto-me alada!
Ah, os meus anseios,
Sonhos de uma felicidade tão amada!
Estou em êxtase;
na doce calmaria agitada
meus pulmões expandem e 
não me articulo em nada.
Nada me é vão,
nada é parada.
Tudo é um fluir em alma encarnada.
Tudo é sol e céu, é flor e água,
e todo encanto concebido no sonhar
remoto, mas percebido,
é o milagre da vida em movimento;
como a minha coroa, vida abençoada!

AC





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