Meu coração despediu-se da sorte,
impeliu-se ao acaso,num anúcio de morte premeditada.
Fechou-se para o arco-íris,
para as causas das minorias,
os sofrimentos alheios.
Dane-se a vida!
Com seus moribundos a pedir-nos
compaixão!
Meu coração é mísero silêncio.
Não quer mais alegrias ou dores,
já que a vida as oferece todas
e sem aviso.
Existem casos assim,
onde na medicina o coração
para antes dos sonhos,
das delicadezas,
dos simples cuidados.
Nem estes quero mais!
Não quero curar-me, tratar-me,
quero o branco esquecimento,
reflexo exaltado como o abrir dos olhos
diante de uma luz forte, que cega
o que afinal não quer mais ver.
Meu coração virou casa de bicho
empalhado,
jardim sem planta,
planta sem chuva,
reflexo vazio do que
não mais se movimenta
e que também não mais ama
nem sente,
não teme
nem sofre.
AC

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