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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

ESPÍRITO BRILHANTE

                 
                    (para Humberto)

Eu, que em nada confio,
confiaria cegamente em ti.
Em teu amor dourado,
sol quente em meus instintos
afobados.

Cercaria-me com teus carinhos,
manto de veludo caro,
abarcando-me como um passarinho
frágil, delicado.

Daria-me o amor antigo,
tão rendido em sua inocência
que poderia ser até pueril,
se assim entendido.

Colocaria meus olhos de brilhante,
despindo a pele da minha alma
entregando-a inteira, viçosa,
rica flor em teu semblante.

Em meu peito, avolumado,
choraria a dor dos passarinhos,
esperando quietos em seus ninhos
a contemplação faminta do cio.

Aguardaria teu beijo carnal,
teu espírito brilhante,
a voz familiar de quem me remeteria
ao círculo do amigo e do amante.

Eu, para quem não é fácil confiar,
confiaria na ternura de quem, como eu,
vasculha o mundo, tem asas livres,
quer amar e ser amado
e deixar algum legado
à tudo que nos precedeu.

AC












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