Fiz-lhe uma canção de ninar,
que era o sussurro do ínicio dos tempos.
Dentre os rufores abafados, o que se ouvia
eram os contratempos do meu coração.
O som da minha voz era canto de
sereia,que era o sussurro do ínicio dos tempos.
Dentre os rufores abafados, o que se ouvia
eram os contratempos do meu coração.
melancólica e perigosamente atrativa.
Som agudo-doce-soprano,
destes de quebrar cristais,
gelo e até mesmo diamantes brutos.
Mas não alcancei o âmago da minha alma.
Nem quando lhe dei as cores de Matisse,
a lucidez louca de Picasso,
os sonhos assombrosos de Chagall.
Então verti-lhe palavras líricas,
redemoinho de rimas e contra-rimas,
alinhavos de ricas menções, poesias,
contos antigos e secretamente guardados.
Contei-lhe sobre as histórias dos homens,
a fragilidade bélica inerente aos seus rompantes
de conquistador.
(Poupei-lhe as partes sangrentas).
Trouxe-lhe todos os cheiros que jamais existiram,
retidos nas flores do meu jardim.
Ainda assim não cheguei à magia
doce que meus sentimentos albergam.
(Não compus os versos perfeitos
que tanto queria lhe dar!)
Pensei em dar-lhe o tempo,
mas não consegui encontrá-lo,
apressado em seus compromissos.
Assim andei pela rua,
procurando nas gentes, nas agitações,
esta agitação minha dormente,
esta eclosão dos cinco sentidos
à flor da pele-boca-ouvido,
e despi-me e lhe doei o corpo nú,
envergonhado mas sim, eloquente.
E tudo, tudo o que quis lhe dar
durante toda esta poesia,
foi a candura doce, serena, ímpar,
satisfeita e aquietada na perfeita
profusão dos sentimentos comungados.
AC

Nenhum comentário:
Postar um comentário