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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

SAMUEL


 
Não lhe conheci,
presença secundária em minha vida.
Decerto,
não é certo ter sido privada da sua convivência.
Tenho um receio enrustido em agradá-lo,
em ser-lhe neta digna.
Já vi em fotos estes olhos enegrecidos,
sempre em semblante triste,
angustiado.
Que homem terá sido?
Que silêncio é esse que percebo em sua alma?
Teve filhos bons, caráter bom, trabalho forte.
Mas não vejo, em suas fotos,
felicidade.
Talvez pertença a um mundo em que a felicidade
não era algo a ser revelado.
As fotos antigas sempre têm esta aura de rigidez;
não se havia aprendido ainda a sorrir para as lentes!
O que alimentava sua paixão,
homem correto, homem decente,
mas homem feliz?!
Temo pela sua preocupada
existência em vida.
Queria poder ter-lhe feito abrir ruidosamente
os braços, gritar desesperadamente,
expandir os espaços enclausurados dos seus pulmões,
em eterna crise de asma.
Tive seu toque em meu corpo, eu bem sei.
Que terá visto nesta criança?
Que terá sentido por sua neta?
Como é possível sermos tão próximos
e estarmos tão longe?
Irônica vida, pois sempre sinto você em mim!

AC






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