Padeci enferma, com a febre da agonia.
Com os amores loucos que como espadas
traspassam a vida.
Vivi mais que os amores, me queimei em várias chamas;
em algumas saí mais que ilesa.
Não me aquietei amedrontada diante dos tufões
e não enterrei meus pés no cimento.
Do contrário, abri as asas com as quais não nasci
e voei, determinada, a vários destinos.
Os ventos azuis me levaram, os ventos róseos
me trouxeram de volta.
Fui ao fundo e fui à cima.
Experimentei os vícios, os artefatos, as artimanhas.
Fui boa e má ao mesmo tempo.
Nunca quis colher gratidões, mas entusiasmos!
Neguei-me a ir pelo caminho mais conhecido,
tomei os atalhos que nem sempre foram
os mais fáceis.
Porque nesta vida tola, pequena e rápida,
não quis ser tola nem pequena.
Mas me permiti ser boba, muitas vezes
pueril e infantil.
Usei as palavras; domei meus instintos;
confiei na minha sorte.
As palavras sempre me fluíram como água
na cascata das minhas emoções,
levando-me rio abaixo para o meu próprio autoconhecimento.
Fui longe demais e perto demais.
Suportei as dores, chorei muito.
Ri mais ainda, e melhor, ri por último.
Conheci pessoas belas, mas tão belas,
que também chorei por elas.
Chorei também pelas que queria ter conhecido,
mas o tempo, este vilão,
nos fez nascer em épocas trocadas.
(Desencontros inaceitáveis!)
Tive um peito maior que o que poderia
abarcar tantas sensações.
Deparei-me com o medo insensato
e com a alegria mais pura.
Expandi-me, tantas vezes, imenso big bang
do meu próprio universo.
Assombrei-me com as coisas como elas são.
Não julguei tanto, só um pouquinho.
Ouvi e falei em mesma proporção.
Esqueci algumas vezes, em outras simplesmente fingi,
a ignorância optativa faz parte do caminho.
E quem sabe....
Sobrevivi...
AC

Nenhum comentário:
Postar um comentário