Total de visualizações de página

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

APELES

               
           Em homenagem à poeta Florbela Espanca


Ai que em tanto em ti me reflito!
Desde o primeiro dia em que a li...que lindo!
Rendi-me ao teu caldeirão de sentimentos,
aos teus tormentos tão revividos,
tuas mágoas apaixonadas.
Amastes tanto, e a todos e cada um,
em todas as horas e em cada momento,
mergulhando no turbilhão fragilizado
dos teus afetos afora.
E viajastes pelo universo da tua agonia,
alcançando cometas, mantos solares,
estrelas em cadência de versos,
planetas e vícios lunares.
Ai que em ti tanto me sinto!
Quando pressinto nas palavras esta demência
eloquente!
Quando os versos me cegam, tal qual
paixão inconsequente!
E as horas contém medos virginais,
e os medos, amores em tudo o que se sente!

Pelos tantos amores vividos ou não... prosastes...
Pelo irmão prematuramente partido... chorastes...

Tu, flor do meu jardim,
fragilmente retirada
antes do teu completo desabrochar,
em tua rápida existência preenchida com
o amor dos loucos e dos insensatos,
o amor de poucos e dos fanáticos,
doou-se tão por completo que é isso
que a minha alma aclama:
O teu viver fantástico!


AC









Um comentário: