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terça-feira, 28 de agosto de 2012

TODAVIA



Eu não o vi quando você estava ali.
Passei ao largo, ao longe.
No destino bifurcado,meu caminho estava
na outra tangente.
Não me remeti ao que você poderia desejar.
Tantos desejos são tão sufocados,
prisioneiros da ilha deserta de sentimentos
não esgotados.
Não percebi a sua presença ou ausência.
Andava apressada correndo atrás do caminho.
Em passos inquietos, ora felizes, ora sozinhos.
Era difícil lhe enxergar mesmo sob o céu
de azul castiço ou de chumbo bruto.
E em meio às tantas horas amargas, de luto;
continuei prosseguindo,
até alcançar horas de simples desarmamento.
Eu não quis me entregar na hora certa.
As entregas não têm horas marcadas,
e os seus remetentes não premeditam
no ato da doação o melhor momento.
Deliberadamente, não fiz, não quis,
não vislumbrei e não desejei.
Criei visões de paraíso onde você não estava,
mas também não lhe reservei lugar na
cadeira em que Dante sentou.
Andei em praias de areais tão secas e quentes,
que em meus pés bolhas formaram.
Não lamento, lágrimas secam, e secaram.
No entorno desta vida, bem vivida, mal vivida,
não me vejo apta a dar ou digna em pedir desculpas.
Desculpar-se é quase matar-se em vida.


AC

Um comentário:

  1. " Les Demoiselles d'Avignon", quadro pré-cubista de Picasso (1907), marca uma ruptura em sua obra, aqui também fortemente influenciada pelo primitivismo.
    Observa-se claramente uma das prostitutas sentada,retrada ao mesmo tempo de frente e de costas, inferindo o brilhantismo da sua concepção inaugural cubista.

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