Quando eu tiver esta morenice,
estes seios fartos,
farei um lindo quadro.
Quando acarinhar
este cabelo longo
insondável e preto
tirarei retrato.
Quando eu afagar
esta boca rosa,
cálida e carnuda,
pintarei com tato.
Quando eu decifrar
a alma resoluta,
linda e feminina,
escreverei contrato.
Mas quando eu ousar
querer que a tua flor rósea
abra só pra mim;
a flor tão singela
deste teu jardim;
manda-me embora
que eu já quero muito.
Quero tanto assim
que não é só querer
é também assalto!
AC
NOTA TA AUTORA: "Mulher vestida de verde", de Di Cavalcanti.
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