quando, ao perguntar por Maria,
recebi aquele estranho olhar.
Voltara eu com um lindo bebê nos braços
para mostrar a Maria.
Maria, que eu sempre via.
E nunca me esquecerei daquele olhar.
Não era decerto de melancolia,
era antes um olhar incrédulo,
prenunciando antes das palavras
o destino malévolo.
Maria, você não sabia?!
E aquele estranho olhar.
Entre o lamento e a inquietude,
o desamparo e a finitude.
Não exatamente triste,
somente de constatação
de que a vida deve ser uma comédia.
Maria se fora, em uma tragédia.
Aquele olhar dizia tudo.
Maria não era bela,
mas tão alegre era,
que bela se tornava.
Maria era moça, e
partira antes dos 30,
a morte não se contivera.
Levara Maria sem que ela tivesse tido tempo
de, da vida, extrair suas desilusões.
Levara Maria numa morte ridícula,
esdrúxula, atípica.
Eu via e via Maria, durantes dias,
com minha bela barriga prenhe a crescer.
E meu lindo bebê registrava
aquele confronto de vida e morte.
Maria, que eu nunca mais veria,
tragada em um destino sem sorte.
AC

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