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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ENXAQUECA

A chuva que cai aqui dentro é intensa.
E os raios e relâmpagos prenunciam muitos trovões.
O ressoar dos seus barulhos é estrondosamente forte,
e a tormenta não parece querer sucumbir.
Tal qual um relógio que badala às 12 horas,
a  vibração faz tremer paredes e tetos,
tinindo e vociferando em altas frequências de dor,
bradando seus martelos de finas sintonias.
Há um suor frio que desce pela nuca,
e um nausear amargo, barco tragado em alto mar.
Há uma procura pelo que é silente e escuro,
para onde se possa fugir dos gritos abusivos,
dos finos berros que tilintam
e dos tambores que rufam aos quatros cantos.
Os olhos ainda estão doloridos.
Neste caos alucinado de algia e drama,
a comédia da dor teima mesmo em ceder.
É  preciso paciência para a desordem avessa,
é preciso tolerância para a trama travessa
- delírio que atravessa horas imensas.
Dentro da minha cabeça.
 
AC



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