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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FLAMENCOS


Vou abrir-te o espírito com meu cântico de rebeldia.
Com meus portes viris e sapateados mágicos
que retumbam pelo chão de alforrias.
Pois meu espírito é livre!
Sou também cigano e conto minhas dores nas cantorias.
Meu sangue sobe pelas mãos voluptuosas que serpenteiam e enroscam-se
em redemoinhos giratórios.
Tenho capa invisível de toureiro
e babados em saias de rodopios aleatórios.
Movo-me trágico, forte
e também guerreiro, nobre,
pois sou um cavalo árabe de porte!
Chorem tuas saias, mulheres mouriscas,
requebrem teus quadris fortes
pois tuas belezas ofuscarão o sol,
e em teu peito altivo está a nossa identidade!
Brada alto, ola!
Cresce em teu ritmo nômade 
mas sem fugir do teu destino.
Em nossas mãos estão o sangue, o clamor
imponente das temperanças agitadas.
Pois eu sou a própria união e unidade,
que luta e chora
no doce martírio das castanholas fatigadas.

AC



Um comentário:

  1. NOTA DA AUTORA: Pode-se denominar a existência de uma ARTE FLAMENCA, resultado da fusão de influências de árabes, judeus e ciganos na região da Andaluzia tanto durante a ocupação moura de cerca de 8 séculos na região como após a reconquista cristã no final do século 15 e a consequente perseguição destes povos. A arte flamenca é representada por cânticos e danças que falam das festas, lutas, esperança, amor e afirmação destes povos. Podemos dizer que a Arte Flamenca hoje nos remete à propria identidade cultural do sul da Espanha.

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