Ser feliz é muito difícil, estar feliz é mais fácil. Quando pensamos nos dramas da humanidade, não podemos deixar, ou nos permitir, de não nos sentirmos felizes. Mas sabemos que só isso não basta. O infortúnio alheio não aumenta objetivamente o nosso grau de felicidade.
Passamos a vida temendo viver sozinhos, e ainda assim não somos felizes quando temos um parceiro. Filhos, acho-os muitíssimos importantes- para aqueles que não os teve, não adianta falar nada. Porque filho é sentir. Desde aquele amor imensurável, até aquela preocupação e aporrinhação que só eles sabem nos dar durante o resto de nossas vidas. Falar em ter ou não ter filhos é tão inútil quanto falar em mostrar a bunda, torcer pro Bahia ou ter fé em Deus- só que os têm e se sentem felizes sabem o que significa.
Empurrar a felicidade para amanhã é de uma burrice tremenda. Nunca seremos ao certo felizes amanhã. Mais prático é aceitar e encontrar prazer em pequenas coisas diárias- ler uma revista, ver aquele filme legal, viajar, assistir à apresentação da peça do seu filho, vê-lo crescer- excelente exercício de antropologia se passando diante de nossos olhos, sobretudo quando há irmãos que interagem. Pré-história ao vivo e on line, em 4D todo dia!
A felicidade portanto, conceito tão abstrato, deveria ser substituído por alegria nas pequenas coisas, conceito aliás budista. Frustra menos. Viver é ter de lidar com responsabilidades, trabalhos, brigas, trânsito, dissintonias, contas a pagar, tudo conspirando contra a tal felicidade. Melhor que tentar não ser feliz, é tentar ao menos ser alegre. Afinal, passamos rápido por aqui e não há tempo pra perder com picuinhas.
AC

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