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sábado, 1 de outubro de 2011

ASINHAS

                  (para Peu)

Há um bebê, de delicados traços,
dormindo sereno, na mãe em seus braços.
Impossível não olhá-lo com a candura
que olhamos os anjos, plenos de ternura.
Bebês tão pequenos ainda não perderam suas asas,
aninhados como passarinhos dentro de suas casas.
As asinhas se escondem, tenras e macias,
embaixo dos cobertores costurados de fantasia.
A imensa alegria que nos faz sentir
ele nem mesmo imagina, no bercinho de feliz dormir.
Sempre me pergunto o que se passa em seus sonhos:
talvez lembranças do útero,
talvez lembranças de um passado,
talvez certezas de um futuro;
é pena que nós mesmos esqueçamos
daquilo que, quando crianças, sonhamos.
E finalmente, as delicadas asas?
Estas, eu vos conto, pois disto tenho certeza;
elas continuam lá, invisíveis
por um longo tempo, a proteger como um manto
o passarinho dentro de suas cascas!

AC

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