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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

SORRISOS CONGELADOS

O sorriso congelado me espreita, me encanta.
Seduz-me o charme retido no lapso da memória
da máquina fria.
Aquilo durará eternamente.
A áurea doce, tranquila, convicta
de que  piores aflições não existirão.
São olhos jovens e cheios de energia;
de pessoas talvez belas, talvez difíceis,
talvez mansas, talvez intransigentes.
Por detrás da foto, respiramos a vida ali contida.
Tão belamente enquadrada, guardada
ao seu lado, na mesa de centro, na mesa do canto,
no console, no criado-mudo.
Dentro da mente.
As pessoas insistem, estão tão vivas, tão
real ou irrrealmente felizes, na fantasia
colorida da foto.
Impossível não admirá-las
ou não imaginá-las eternas.
As fotos nos enganam.
Tentamos burlar a morte,
mostrando-lhes a incongruência
de toda esta riqueza simplesmente sumir.
A morte não se compadece.
As fotos, e não as pessoas, existirão para sempre.
As pessoas restarão
nem sempre do lado da cama,
na mesa de almoço,
na compainha do bar.
Talvez resistam para sempre emolduradas em seus belos sorrisos.
Sim, certamente, os sorrisos durarão para sempre
dentro da mente.

AC






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