A tela em branco me olha.
Me espera.
Me analisa.
Paciente, impaciente.
Não se exaspera;
não tenho todas as respostas.
Tenho devaneios, miragens
e saudade impertinente.
A tela em branco não pisca.
É fria observadora coerente
na sua passividade ambígua.
Me espera.
Me fustiga.
Quero dizer algo que valha,
palavras belas,
encantos singelos,
lirismos.
A tela continua aqui.
Impávida e inflexível,
bidimensional.
Às vezes ela convida.
Em outras, castiga.
AC

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