Vim te visitar, amor secreto,
afogada de saudade deste refúgio
onde fico tão liberta.
E meus pensamentos explodem,
me contaminam, e quero
esta doença eloquente.
E desejo tudo, o céu, o mar
e o colchão de amar do poeta.
E tomo as palavras pelas mãos
e com elas passeio pelos
arredores da vida.
Os jardins todos se oferecem
e as rosas, despudoradas,
abrem suas pétalas.
Ah, meu doce recanto,
onde encontro todos a um só tempo,
na memória do pensamento.
Nos meus olhos fechados,
tenho à frente as cores
de Marc Chagall
Eu sou a moça que paira
sob o fundo onírico de
uma de suas telas
E sou a virgem de Vermeer
com pingentes de pérola,
sou o grito amordaçado de Munch
Sou a menina do colar de coral,
um verso de um soneto de Vinícius
e do meu pai,um conto surreal
Eu sou a pequena Sofia
aprisionada na história dentro
de outra história
E Juliana arfante à espera
do primo-amante, o incesto
predestinado dos Maias
Não tenho limites! Tenho livros,
afrescos, paisagens abertas onde
deixo passear livre a minha moral!
AC
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