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quarta-feira, 27 de junho de 2012

FACIES


Vejo tua fachada
talhada em máscara de grandeza.
Quantos disfarces abrigam um semblante?
Nas horas de dor, pões a máscara dissimulada
da mentirosa alegria.
Não queres revelar tua agonia!
Nas horas da verdadeira felicidade
teu sorriso encantadoramente se abre;
desabrochas tuas rugas em finas ranhuras
que, como que se feitas de areia,
sucumbem a pés dançarinos que as apagam.
Há horas em que estás pálido...
Onde foi parar o sangue da vida,
esvaziado sob a pressão do momento?
Há horas em que perdido ficas
a sonhar acordado, astronauto no espaço
dos seus íntimos devaneios.
Nos momentos de fúria, seguras retesamente
esta máscara de um tênue civilidade,
algo entre uma explosiva combinação
de contenção e raiva, represa prestes
a se partir.
Mas é nas horas em que seu todo parte, 
que mais temo o que há não fora,
mas dentro de ti:
Nas horas em que não sei onde estás,
quando foges para onde meu coração não o alcança,
e a aparência fria da quase-morte me assusta
e à máscara do desespero me lança!


AC



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