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quarta-feira, 20 de junho de 2012

AS DUAS


















Cecília:
Tenho em uma, a beleza congelada;
O coração a remar em barcos de sutil destino.
O destino das águas, das preces e dos louvores.
A vida centrada e as letras que se alinham
na poesia como se delas já soubessem a forma.
Perfeitas! Tão belas e aquietadas!
 

Florbela:
Tenho em outra, a beleza enigmática;
O coração naufragado no barco que se destroçou um dia.
O barco lamuriante, de sôfregas paixões ardidas.
A vida em um equilíbrio instável e as letras
embaralhadas dentre sentimentos e agitações.
Perfeitas! Tão belas e atormentadas!


Como escolher, entre o doce lírio ou a rubra rosa
ensanguentada?


Não temas! não há escolhas; pois nas possibilidades infindas das duas,
Na divergência dos seus destinos poetizados,
O que as afasta é a mesma fatalidade que as une:
O sublime alcance das suas necessárias liberdades!
 

AC

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