Me cubro de manhãs.
Puxo o lençol rosa acetinado
do céu purpúreo do amanhecer do dia.
Nuvens - cirros e cúmulos- se espreguiçam
pelo céu afora.
Chovem minúsculas gotas geladas
repletas de água celestial.
O Universo se resume naquele momento,
à todo alvorecer da Terra,
numa suspensão teimosa de outras existências.
E Deus se debruça sobre o vão desse infinito,
deslumbrado com sua própria criação.
Trovões pequenos, minúsculos,
raios infinitesimais,
ensaiam algum colorido eventual,
pequenos vagalumes em espamos a brilhar
como lamparina.
E tudo é saboroso, frio e adocicado.
Nesse raiar quase preguiçoso do sol,
a beleza que ofusca guarda igual simetria
com o entardecimento das horas.
Como se fossem irmãos siameses, isolados
por alguma estranha magia,
no despertar e desligar do dia.
AC
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