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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

MANHÃ

Me cubro de manhãs. 

Puxo o lençol rosa acetinado 

do céu purpúreo do amanhecer do dia. 

Nuvens - cirros e cúmulos- se espreguiçam 

pelo céu afora.

Chovem minúsculas gotas geladas 

repletas de água celestial.

O Universo se resume naquele momento, 

à todo alvorecer da Terra,

numa suspensão teimosa de outras existências.

E Deus se debruça sobre o vão desse infinito,

deslumbrado com sua própria criação. 

Trovões pequenos, minúsculos, 

raios infinitesimais,

ensaiam algum colorido eventual, 

pequenos vagalumes em espamos a brilhar

como lamparina.

E tudo é saboroso,  frio e adocicado.

Nesse raiar quase preguiçoso do sol,

a beleza que ofusca guarda igual simetria 

com o entardecimento das horas.

Como se fossem irmãos siameses,  isolados 

por alguma estranha magia,

no despertar e desligar do dia.


AC




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