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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

DIZ

Diz-me das tuas entregas, 

Dos teus recalques, de onde a solidão 

fala por ti.


Diz-me de teus sonhos todos pintados de rosa

Das flores que tu semeaste, qual pretendes a-colher


Diz-me da tua própria floração; pele renovada

que tenta deixar para trás tuas próprias 

amarguras

 

Diz-me qual vinho tu és;

Da safra das uvas íntimas e doces,

colheita de uvas desejadas


Entendo que só se é 

o que se é; o que se diz,

visualiza ou contempla. 


E o que se deve ser dito

é quase um suicídio insano de se fazer ver

tão claramente, 

admirável coragem de espírito. 



AC


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