das saudades dos tempos de agora e outrora
das saudades dos filhos quando ainda pequenos:
sempre é no passado que a saudade se arvora.
As saudades da água que um dia secará
as saudades dos bichos já quase extintos
como dos elefantes mortos nas torres de marfim
As saudades dos peixes que um dia nadaram
e das cores em mosaicos de antigos artesãos
e do tempo onde a hora é infinita e demora
As saudades dos insetos cavando no chão,
nas terras batidas e com cheiro de charco:
a saudade só em vilas antigas é que mora
As saudades das moças nos velhos retratos,
tranças no cabelo, longas saias de linho
a saudade em recato que o tempo despudora
A gente vive das saudades antigas
Inclusive de tempos em que nunca vivemos
saciados que estamos da vida no agora!
Pois há sempre um passado, na saudade que arvora.
AC
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