Eu, sentada deste lado,
miro no oceano a certa loucura do meu desejo;
úmido, como a maré,
intenso, como a força da onda,
tormentoso, como a correnteza,
forte, como esse colosso de águas.
Eu, sentada na beirada,
belisco com a ponta dos pés o teu corpo,
e pelas marés tateio o beijo longínquo,
procuro tuas mãos quentes,
conduzo tua boca cálida,
volúpia minha guardada em ti em segredo.
Eu, então do outro lado da terra,
sempre vou a ti, e sempre vens a mim,
no influxo e refluxo das marés,
neste balé provocador que incita instintos
e dá ritmo aos corpos.
Talvez seja enfim a saudade da maré
o verdadeiro destino
e o oceano, quiçá, a imensa cama aberta,
pacientemente, à espera.
AC
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