Total de visualizações de página

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

QUEM



Lá vem ela, sutil,
a tirar-me o sorriso,
levar embora a paz,
encher-me de instabilidade.
Ela não se importa com meu medo,
faz pouco da minha coragem falsa
e me transforma em mera bobagem.
Caricatura do pensamento em razão,
eu, tola, rendo-me facilmente.
Extrai-me lágrimas à força,
mesmo quando, desatenciosa,
flerto com a normalidade.
Ela aparece tão repentina
que se aproveita de um momento qualquer.
E é tão delicada ao sufocar-me
que até creio que me queira bem,
em minha tola pretensão poética.
Ela se importa ou não, afinal?
Ao macular minha zona de conforto
quer mostrar-me algum caminho?
Ao acinzentar, descolorir, 
deliberar à minha revelia
e me impor suas condições,
sinto que afinal sou mesmo
um ser pequeno e pouco estável,
criança que acabou de nascer 
ou alguém na percepção de sua morte.

Acho que ela gosta de mim,
pois ela vem, sempre.

AC











Nenhum comentário:

Postar um comentário