Na tradução imperfeita do mundo,
gira a roda, o sol nasce,
o bicho caça, a noite vem.
Lábios trêmulos esboçam amores.
O beijo e a sorte são lançados
em cada momento.
O destino é o painel
ainda não pintado pelo artista.
Safras morrem; colheitas insurgem-se.
O destino é a terra que será plantada.
A pressa passa.
Paciência é o caminho completo
que se deve escolher no lugar
de atalhos.
Chuva cai, criança floresce;
(No pátio das pequenas
felicidades,
cultivo duas delas).
Trovadores versejam seus vícios.
E no recesso do pensamento
pequenos monstros esboçam
ódios desvairados
ou paixões enganadoras.
O trem avança no resmungar
da fumaça que soluça no céu.
O destino é o trajeto percorrido
no pavimento da mente.
Os olhos servem à leitura da existência
e a boca degusta os sabores
ou dissabores que o mundo,
gentil, serve em sua bandeja imperfeita.
AC
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