Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013
EPÍGRAFE
Quando vou de encontro ao meu passado, o que vejo?
Escondido no que as fotos não revelam
ao congelar sorrisos falsos e forçados,
Tristeza:solidão.
Talvez porque tenha me exposto
para registrar o que seriam momentos belos ...
Em todas, mantem-se no ar,
Tristeza: solidão.
Quando viro as páginas deste catálogo
e se desenrola minha vida mês a mês,
sonho a sonho, vislumbro o devaneio perdido,
Tristeza: solidão.
As entrelinhas das fotos são bem claras
enquanto embalo bebês e bonecas
e bolos e confeites de alegria, mas lá pairam,
Tristeza: solidão.
Em todas, rebobino um filme como
se recordasse de forma exata cada minuto,
cada afeto negado,
Tristeza: solidão.
Procuro nos olhos, nos gestos retidos
onde o amor não se encontra
mas repousam de forma silente,
Tristeza: solidão.
Reiteradamente,
percebo o apreço negociado,
mas o débito quiçá seja muito alto.
Hoje o dia calha bem para o desalento,
nesta tarde chuvosa de cinzas,
tradução exata da minha epígrafe:
Tristeza.
Solidão.
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