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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

EPÍGRAFE


Quando vou de encontro ao meu passado, o que vejo?
Escondido no que as fotos não revelam
ao congelar sorrisos falsos e forçados,
Tristeza:solidão.
Talvez porque tenha me exposto
para registrar o que seriam momentos belos ...
Em todas, mantem-se no ar,
Tristeza: solidão.
Quando viro as páginas deste catálogo
e se desenrola minha vida mês a mês,
sonho a sonho, vislumbro o devaneio perdido,
Tristeza:  solidão.
As entrelinhas das fotos são bem claras
enquanto embalo bebês e bonecas
e bolos e confeites de alegria, mas lá pairam,
Tristeza:   solidão.
Em todas, rebobino um filme como
se recordasse de forma exata cada minuto,
cada afeto negado,
Tristeza:    solidão.
Procuro nos olhos, nos gestos retidos
onde o amor não se encontra
mas repousam de forma silente,
Tristeza:     solidão.
Reiteradamente,
percebo o apreço negociado,
mas o débito quiçá seja muito alto.

Hoje o dia calha bem para o desalento,
nesta tarde chuvosa de cinzas,
tradução exata da minha epígrafe:
Tristeza.
Solidão. 




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