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sábado, 19 de outubro de 2013

GOSTO RUIM


Tenho na boca um gosto metálico,
ferroso, das coisas que fogem ao entendimento,
arredias como lobos raivosos escondendo-se atrás das árvores.
O primeiro ataque ocorrerá, e, depois deste,
tudo e todos repousarão sob o leito das línguas malditas,
dos ódios divinais e certezas obscuras.
Vereditos de punição, nem estes calarão a
cólera dos homens-deuses.
Deve ser por isso que existem homens- bomba.
Na lógica taciturna de cada pensamento,
em cada um reside o julgamento, ou quiçá a falta deste!
E nas laudas outorgadas pelos acusadores
de vidas alheias, o lobo raivoso 
antes escondido mostrará seus dentes,
pois cada homem é o lobo do outro homem.
Na exposição das carnes, vidas e destroços
que nunca se remediarão, ainda assim o sangue canino
escorrerá em fios famélicos de punição eterna,
fogo eterno, castigo eterno.
É preciso alimentar a fúria antes mesmo da criatura,
pois se há instinto mau, há ainda um maior, visceral,
aquele que revolve a dor já devastada,
incondicionalmente rendida.
Nem os deuses exigem sacrifícios tão desmensurados.

AC






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