Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
A CAIXA
Escondi, na caixa, o pio do meu passarinho.
As risadas dos meus amigos.
Os gritinhos das minhas filhas.
Belas músicas portuguesas,
fados dolorosos e encantados.
O estardalhaço da buzina dos carros.
O som da conchinha do mar.
O suspiro do enamorado.
O trote de Clara em seu cavalo.
E de Elisa, o chorinho emburrado.
Ah! Guardei...
Vinícius recitando poesia
e Caetano cantando "Alegria alegria".
Palavrões de desordem e protesto.
O chiado que sai da panela.
O assovio do outro lado da janela.
A conversa inaudível dos golfinhos.
O choro mais belo da vida.
E a risada mais singela de ouvir.
O último soluço do guerreiro.
E o ruflar das asas da liberdade.
É de espantar, de verdade,
que neste caixote quadrado,
guardei tanta lembrança da vida.
Que até nele guardei com cuidado
o pio do meu passarinho!
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