(para Ados)
Cá estou, náufrago à deriva
no mar dos meus doidos anseios,
amor compelido em vida.
Afugentei-me da embarcação
que construí com ideias.
(Ou expulsaram-me dela ?)
Debato-me nas marés, metáforas da dor.
(Quando estarei salvo?)
Coração aquietado, sem enfrentar
os perigos das ondas gigantes
da solidão e do medo?
Mas meu barco partiu-se
e abandonei-me ao mar.
Neste gigante em seu balé
de marés que nunca se interrompem,
em pensamentos que vem e vão,
à tona a segurar-me em
confusos sentimentos.
Avulso, no oceano gigante dos fatos,
este maremoto revolto,
indelicado, que seguiu seu rumo
à despeito as minhas vontades.
(Mas quando, afinal, guiamos
nossas direções, em que ponto
poderíamos ter voltado atrás,
se o destino que concebemos
é aquele que no fundo, desconhecemos?)
O barco me levou longe demais e
o mar me arrasta mais ainda,
mas espero obstinado a hora
em que a terra alcançará minha vista
e, não mais náufrago,
irei recuperar um bom porto,
outro destino que espero escrever melhor.
AC

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