Desejo o mistério e o silêncio.
Noites perenes, mente vazia.
Desejo o nada revelado.
O ângulo no canto do quarto.
O sapato virado de lado.
O que não precisa ser explicado.
A televisão ligada
e os olhos que nada acompanham.
A respiração quieta, coração delicado.
A preguiça da cama,
a calma do gato,
a roupa ao avesso, alinhavo.
O avesso da morte,
a vida em embalo,
a pressa esquecida no prato.
Não me venha a manhã
pois me ilude o amanhã,
o agora é tão pleno de ato!
Quero um livro e belas palavras.
A história que nunca foi minha.
O poema inato.
Quero a frase retida,
a constância da hora
e o pulso em retardo.
Quando a noite se for,
alvorada a prosseguir,
sol em frenesi,
não me abalarei;
simplesmente o que sei:
estarei.
AC

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