Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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domingo, 14 de outubro de 2012
ALMA GENTIL
O que faço por merecer,
ou por desmerecer,
eu que nada quero senão
o conforto de ter-se
como coisa delicada,
alma gentil, carinho doce.
Eu que aprisiono pássaros dentro de mim,
para libertá-los pelas palavras.
Eu que me transloco pelo universo,
na força da minha fé diante do desconhecido.
Eu cujos olhos são janelas em
incansável perseguição a entender
os delírios interiores, meus ou alheios.
Eu que sinto que tanto tenho,
apesar de não alcançar o que de fato desejo.
Talvez por não merecer,
nunca me venha o conforto de ter-me como
coisa delicada, alma gentil,
docemente acarinhada.
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