Meu corpo abriga um deserto
de imensas areias.
Onde não há configuração de um oásis
de águas claras e doce sombra.
Esta miragem não está no meu finito.
Mas não reclamo sede; não desejo água.
O sol que em mim incide
tem sopro de impiedade e castigo.
Sou só neste mundo desertificado.
O silêncio ensurdecedor do vento
se eleva e me cobre a areia.
Estou escondida,
meio barro, meio gente, meio nada.
Camuflada na inexistência vazia,
na vastidão onde se perdem os desejos,
as descobertas, os amores.
Onde não se reconhece a alma,
consistência interior, matriz divina.
Então meus olhos já não veem;
minha boca não sussurra;
minhas mãos nada tateiam.
E nem mesmo caminho
pois estou sendo enterrada,
corpo inerte, mente submersa
na escuridão das dunas que se
tornam minha própria paisagem.
Não deveria deixar-me afundar viva.
Mas o que faço para desencavar esta desolação
perturbadora à minha volta?
AC

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