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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PELEJA


Tenho esta dissolução absoluta da alma,
abstraída em minhas próprias penitências.
As que invento, participo ou desejo,
a desencarnar-me na acidez da minha essência.
Eu sou o fogo que a si mesmo alimenta,
descompasso que se anula e destrói.
E meu socorro é este sorriso que acrescenta
uma febre santa que em meu peito se constrói.
Nestes incursos de plena submersão
em meus desejos, meus defeitos e virtudes,
figura uma concreta e tola obsessão
por meramente conhecer-me em plenitude.
Mas saber a si é tão difícil e ineficaz,
pois sendo uno, somos vários em um mesmo.
Sou a antítese e síntese que não traz,
absolutamente, a paz e harmonia que desejo.

AC 




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