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sábado, 29 de setembro de 2012

O ABISMO


O amor lançou-se ao abismo,
levou com ele a beleza das ilusões,
a inocência do querer bem e
a despretensão tola de quem só quer,
sendo a si mesmo, ser feliz.
O amor abriu suas asas de ambição,
as que alçam vôo ao paraíso,
(terra inalcançável)
e deixou-se cair onde estão
encolhidas a um canto dores
e comiserações.
O amor queria ser sublime,
maior e melhor do que tudo.
Queria nascer com o sol,
mas nunca pôr-se ao entardecer.
Passaria incólume pela noite,
pântano escuro dos medos.
Viajaria pelos sonhos mais belos,
esvaziando mentes ansiosas
e enchendo corações com sangue puro e fresco.
O amor seria só alegria,
a festividade carnavalesca da alma
em sua mais bela fantasia de sublimação.
O amor passaria ao largo da infelicidade,
em seu desinteresse pleno de não,
tão somente, satisfazer-se.
Mas é impossível ser tão alheio
e ignorar a impiedosa justiça da vida.
O amor lançou-se ao abismo,
cansado de procurar o que talvez não exista.

AC







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