pinto, desfaço com óleo, tento outras tintas;
sou este borrão.
Desenhos em cima de desenhos,
desejos nunca alcançados
nesta imperfeição de guaches
sobrepostas.
Sou este erro
em cima de erro,
a moça que nunca se esboça,
a sombra mal colocada,
o canto mal iluminado.
Sou as tentativas frutradas
de tentar ser.
Mas minhas linhas são muito tortas;
por isso, nunca estou bela.
Em rabiscos ora de alegria
ora de frustrante dor,
melhor seria ser a tela sempre em branco,
adormecida em algum canto,
esquecida pelo pintor.
AC

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