O sol tem vários bracinhos
E neste branco espaço despido, tem um lindo castelo colorido
e uma borboleta com antenas gigantes
e olhinhos que brilham floridos.
Tem um espetinho, que é um boneco.
Tem uma cruzinha, que é a irmã
que amo em meu peito arfante.
E a nuvem do meu lindo céu
não é de talco, nem de algodão.
É para deixar meu céu azulado.
Bonito, viçoso, estampado.
Não há linha neste chão
Mas há pontuda graminha
e as maçãs não envenadas por bruxas
caem na relva sequinha.
E quando mesmo a grama não há,
nem linha nem limite nem chão
O sol, pendurado no ceú
E a casinha, pendurada no nada
E o boneco e a irmã tão amada
Ficam no fio da minha imaginação.
Assim guardo meus lápis,
satisfeita com minha produção
Pois em um papel branco sem vida
não fiz desenhos pueris
não fiz riscos sem noção.
Rabisquei meus versos infantis!
A casinha, a borboleta, o não chão!
AC
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