Calado, curioso, confuso,
perscruto os teus pensamentos,
resposta aos meus sentimentos.
Não sei se sei o que quero,
o que devo, posso, o que peço.
Eu te fantasio.
Reviro tua alma ao avesso
tento encontrar um enigma,
mistério que eu mesmo alimento.
Não sei o que tenho,
o que parece, se esconde, tateio.
Tento adivinhar.
Desvendar significados,
ambição do meu espírito inquieto
a procurar um dolo, um culpado.
Não sei bem o que me move,
o que remove, reflito, rumino.
Eu tento ver pelos teus olhos,
te cerco com minhas pesquisas,
resgato supostos antolhos.
Vivo a vida ou o que é ilusório?
(Mas...
Não tentes revelar devaneios
nem te mortifiques com tantos apelos.
Deixas calar o alheio.
Que são sonhos senão
os últimos refúgios da alma?
Agentes das transgressões
mais libertárias.
Os minutos mais íntimos
da tua morte.
A audácia pessoal, a última fronteira,
o vício mais solitário...)
AC
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