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sexta-feira, 20 de junho de 2014

EU CONTEMPLO



Eu te observo.

Calado, curioso, confuso,
perscruto os teus pensamentos,
resposta aos meus sentimentos.

Não sei se sei o que quero,

o que devo, posso, o que peço.

Eu te fantasio.

Reviro tua alma ao avesso
tento encontrar um enigma,
mistério que eu mesmo alimento.

Não sei o que tenho,

o que parece, se esconde, tateio.

Tento adivinhar.

Desvendar significados,
ambição do meu espírito inquieto
a procurar um dolo, um culpado.

Não sei bem o que me move,

o que remove, reflito, rumino.

Eu tento ver pelos teus olhos,

te cerco com minhas pesquisas,
resgato supostos antolhos.
Vivo a vida ou o que é ilusório?

(Mas...

Não tentes revelar devaneios
nem te mortifiques com tantos apelos.
Deixas calar o alheio.
Que são sonhos senão
os últimos refúgios da alma?
Agentes das transgressões 
mais libertárias.
Os minutos mais íntimos
da tua morte.
A audácia pessoal, a última fronteira,
o vício mais solitário...)

AC

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