( homenagem
a Florbela Spanca)
Trancada estou na torre do mistério e desalento
Onde as horas passadas são o amargor vazioRefúgio das palavras que percorrem o frio
Que a alma sente, sozinha e aprisionada
Quero a libertação em todos os momentos
A doce sensação do abrandar gentioQuero o degelo deste torpor doentio
Pois é o meu maior desejo: ser-me libertada!
E nessa ventura triste do alto da torre
Onde não há janelas ou tampouco escadasSó há um vão possível para a liberdade
Saltar aos doidos ventos, no alto da sacada
E ao saltar, aos quatro cantos, em livre queda
Tenho certeza, serei sim amparadaPior que a prisão da morte pré-anunciada
É a prisão em vida, retida e abandonada!
AC


NOTA DA AUTORA: Florbela Spanca, poeta portuguesa, plena de paixões e desamores, fez da vida uma luta de amor e sofrimento. Suicidou-se aos 30 anos, tendo tido um breve tempo para mostrar ao mundo a sua poesia belíssima, profunda e visceral!
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