A chuva que cai sobre meus sentimentos
não consegue limpá-los das camadas que se
alternamentre receio e indisfarçável incompreensão.
Que é a vida, senão essa tolice....
Procuro a verdade oculta que responda às minhas indagações,
mas a verdade, ah, nós é que a fazemos e que a tornamos.
Portanto não creio nas verdades absolutas,
nas respostas acabadas, ainda que respeite e
até inveje quem se complete nas histórias
épicas de deuses e romances.
Carrego a melancolia do não compreender;
do não querer ser ou sequer estar ali.
Esta característica incorrigível muitas vezes
me soa como uma benção que a chuva
traz ao molhar e tornar os campos mais verdes
e mais sensatos, mais límpidos e claros de enxergar.
Ou, às vezes, é simplesmente a tormenta
que castiga o pântano dos meus pensamentos,
pois o homem precisa da embriaguez do vinho, das festas,
das crenças inquestionáveis e dogmáticas
para poder ir dormir sereno o seu não pensar.
A vida.... essa tolice!
AC
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