O barco avança vagaroso
em sua travessia ao sítio remoto,onde os esperam os cardumes abissais.
O barco quase aderna em seu avançar moroso,
segue adiante ao balanço da maré
e obedece ao ritmo entediante do
balé das ondas.
Para quase no centro da Terra,
onde nada os espera,
somente as redes e armadilhas alçadas aos fundos
dos silêncios e naufrágios.
E quando as submerge, o vasto azul mundo marinho,
pescado, ilhado, o cardume dos peixes raros
aparece em seu ritmo desconcertante
de pura e instintiva sobrevivência.
Debatem-se com o furor das ondas agitadas,
pois aprenderam com o mar a serem tão somente brutos,
rápidos e esquivos.
Não sei qual a beleza maior de toda esta cena:
se a do barco, o soberano absoluto do destinos dos peixes;
se dos peixes, em sua resolução asfixiante de liberdade;
ou se o das ondas, soberbas traiçoeiras, ausentes de bondade.



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