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domingo, 8 de janeiro de 2012

CAROLINA



Minha janela tem molduras azuis e jarros de flores repousando sobre ela.
Dela vislumbro o oceano infinito que ao longe me espreita.
Desta janela, vejo o tempo passar.
Com meus olhos de enegrecidas olheiras profundas.
Já fui avisada de que o tempo corre pela janela,
mas ao contrário do que versejam em canto, eu vejo sim a contagem das horas.
Já me avisaram que o tempo é escorregadio como as areias secas
da praia que fogem sorrateiramente entre os nossos dedos.
Sim, o tempo prossegue rápido e com ele leva nossas aspirações.
Esqueceram de dizer, na música, que o que passa pela janela não é só o tempo:
passa a ilusão inocente das coisas juvenis; passa um pouco da esperança;
com nossa mocidade, vai-se embora a graça reluzente das horas e a espera pelos sonhos já demora demais.
E a vida vai se tornando aos poucos um pouco dura e exigente.
Agora, o que era leve mostrou seu peso. 
"Eu bem que avisei a ela; o tempo passou na janela ", mas Carolina não é uma mera espectadora; sim, ela pressentiu.




AC









Um comentário:

  1. muito, muito bem observado dos dois lados: do de Carolina, do tempo q passa na janela levando seus sonhos, sua pele lisa, seu corpo de menina moca. suas bonecas ainda presentes. gostei muito
    bjao, menina mulher

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