Quando eu estiver triste,
talvez eu não esteja: eu seja.
E por que os cronicamente tristes têm de ser evitados?
O medo da dor é contravivenciário.
Não se vive sem dor, pois ela reside em tudo:
- na contração do nascimento;
- nas inquietudes da existência;
-nas perguntas essenciais, sempre caladas.
Afinal, alguém já explicou porquê viemos, somos ou estamos? Ou pra onde iremos?
No momento da vinda, o amor se reveste,
logo de antemão, do medo da perda.
É a dor pressentida, antecipada.
E no momento da ida, a dor é visceral,
corte deliberado e profundo na carne.
No cerne, no centro, na instância, no segundo,
na inconstância há luta, há pó, há pouco.
No que sobra, no que nunca se atinge.
No que falta, no que cala e restringe.
Portanto, não venha me apontar minhas dores, pois são belas e justas.
Cultivo-as com esplendor, porque são o retrato cabal da minha, tão minha, humanidade.
AC
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