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terça-feira, 15 de julho de 2025

Quatorze


Guardo a lembrança daquele beijo,

meu pequeno afeto perpetuado, 

no gosto da tua língua doce, a me procurar.

E como te quero.

Guardo o beijo que, ao ser beijado,

paralisa em suspensão um ar represado,

uma súbita desaceleração do tempo,

toque contínuo e aveludado. 

É bom lembrar.

Porque doce, e agora eterno, e mais

que isso, terno,

sorvido na lentidão dos que degustam

um mágico momento.

As auroras deviam nascer sob beijos assim,

trazendo do dia o frescor

e a esperança posterior

- como quase uma certeza-

de felicidade acumulada.

Vinho maturado, mel, cálice sagrado

de onde se bebe a formosa fruta,

do amor. 


AC






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