O relógio está em cima da mesa.
Tudo em perfeita ordem, aparente harmonia.O relógio dita como tudo deve proceder.
O acordar, o fazer, o ir dormir.
Ele não atrasa; nós é que nos nos atrasamos para a vida.
Da minha visão retinal, enxergo o mundo tresloucado lá fora.
As pessoas algo fora de si, sem nem se dar conta disso.Presas na incapacidade de buscar alternativas.
E assim segue o rebanho humano para as cancelas onde todos são ninguém e ninguém são todos.
Os caminhos escolhidos não deveriam ser tão premeditados.
Pois há que haver espaço para as loucuras inconstantes, os arrebatamentos de espíritoe o fogo louco que incendeia e dá combustão às nossas vidas.
O sangue tem de correr quente e resoluto em nossas veias.
As escolhas que chancelamos, produtos das vontades reais ou impostas,
deveriam antes de tudo abrir um ousado e irrestrito leque de opções
para os deveres, os direitos e sobretudo os sonhos.
Pois sem dormir nossos neurônios pifam, esgotados e exaustos.
E sem sonhar nossas vidas são simplesmente tão pífias.
Os conselhos que darei pra minhas filhas: ousem; sonhem;
não se perfilem atrás da fila do gado humano.
Permitam-se divergir e divagar com um olhar
contemplativo, questionador e na maior parte possível das vezes,
evitem o reduto das razões congeladas.
Pois o que soterra o homem é não se deixar abrir o espírito,
a mente e o coração.
Anita Campos

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