Estou
Na rua escura, parada e nua
Sentindo o silêncio que vem de mim,
Vem da outra margem,
vem de todos os cantos.
Descubro
Que quando não há frio, medo
ou desespero
Tampouco luz, amor ou
melodia
O coração ainda bate,
silenciosamente
Ou ruidosamente
Com as sobras e pedaços que re-existem
E como haver vergonha na nudez
Mesmo exposta ou alheia ou visível
Se no corpo jaz somente
O que não reside?
Como um vaso sem sangue,
Uma alma errante,
sem luz, fome ou abrigo.
AC
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