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terça-feira, 23 de julho de 2013

"A ALMA IMORAL"

         
         (baseada em peça homônima)

Então a alma imoral apossou-se de mim.
Tão lucidamente esclarecida,
afastada de domínios e sem necessitar de fé,
de súbito, eu compreendi.
Que ela está lá, está aqui,
tornando óbvios os desígnios,
nítidas as necessidades,
claras as visões.
Esta compreensão é tão natural
que pasmo, seja possível-
dela já não tenha
antes alguém se inquirido!
Que se o corpo reflete algum princípio,
a alma reflete cruas inquisições,
abrangência de sentidos
submersos, em lagos de subversões.
A alma impera onde tudo é permitido;
e se não o é, passa a ser
a verdade das loucuras célebres,
a coragem da nudez proscrita,
os mapas dos encontros predestinados.

A alma é o escárnio sem culpa
e a vergonha deliberadamente exposta.

Antes de tudo que a consciência exercita:
amar, obedecer, crer, realizar,
contemplar, verbalizar,ofertar ou receber...
... urge saber-se absolvido em uma alma assim.

AC


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